NEUROCIÊNCIA

NEUROCIÊNCIA


No nosso cérebro, o mais importante órgão do sistema nervoso, chegam  as informações recebidas pelos órgãos dos sentidos. Recebemos no cérebro estímulos de nossas vivências e experiências. Ele fica responsável por espalhar em nosso corpo as respostas que recebe através dos estímulos voluntários e involuntários.

Alguns estudiosos afirmam que o cérebro também é capaz de receber as emoções que sentimos, aprender coisas novas independente da nossa idade, modificando sempre que necessário e aperfeiçoando. Aprendemos pelas experiências genéticas e contato.

O nosso cérebro é formado por células chamada neurônios. Não sabemos exatamente quantos neurônios temos, e sim, uma estimativa de 86 bilhões de neurônios.

O cérebro recebe e transmite informações, ou seja, os neurônios realizam conexões de um para com o outro. As informações chegam pelos dendritos,  através das substâncias químicas (hormônios, neurohormônios, neurotransmissores e neuromoduladores).

As informações químicas são convertidas em informações elétricas nos neurônios.  Essas informações percorrem o axônio (bainha) e segue em direção os botões terminais, encontrando com as vesículas químicas.

Quando o impulso elétrico chega às vesículas, elas liberam substâncias químicas nas sinapses. Esses espaços, de um neurônio e outro, são as sinapses, ou vendas sinápticas. São espaços microscópicos que conectam os neurônios.

O nosso cérebro está ligado as nossas emoções, sentimentos, comportamento, pensamentos; para podermos entender o aprendizado, temos que conhecer o cérebro. A pesquisadora, Leslie Hart, diz que “Ensinar sem levar em conta o funcionamento do cérebro seria como tentar desenhar uma luva sem considerar a existência da mão”, ou seja, precisamos conhecer cada cérebro, como o aluno pensa, como ele se comporta com cada estímulo diferente e entender de que forma é melhor para o ele compreender o conteúdo.

                A Neuroeducação habilita o professor a ser um grande mediador em ensinar quais recursos ele pode usar, para melhorar a qualidade de ensino, estimulando o aluno a pensar e refletir.

O planejamento de aulas lúdicas, que proporcionam um conhecimento produtivo e agradável, exige do professor uma certa disponibilidade para mudar seus paradigmas a respeito de sua forma de trabalho. Afinal, para se trabalhar com métodos dinâmicos não basta dominar as teorias e decidir aplicá-las no dia a dia, é preciso mergulhar fundo no mecanismo chamado ludicidade, conhecer as características de aprendizado da turma, aperfeiçoar-se, criar e recriar, sendo esse um exercício que o professor precisa fazer diariamente.

Nós, seres humanos, somos movidos pela motivação, quanto mais o aluno for estimulado, mais ele conseguirá ter uma melhor assimilação do conteúdo.

Piaget destaca em suas teorias a importância do construtivismo cognitivo, o qual se desenvolve nos processos mentais amplamente relacionados com a realidade do aprendiz, ou seja, aquilo que defendemos no nosso dia-dia: que a criança aprende construindo, o construtivismo.

Assim que a criança nasce ela já tem o cérebro formado e pronto com diversos circuitos. A maior parte do nosso sistema nervoso é formada ainda no período embrionário.

No nosso cérebro algumas células são descartadas por não conseguirem formar ligações corretas ou necessárias.

Segundo Relvas, três semanas após a concepção, a placa neural, uma camada de células que passa pela extensão do feto, une suas extremidades para formar o tubo neural, que mais tarde se desenvolverá no cérebro e na medula espinhal. O cérebro infantil tem uma quantidade excessiva de sinapses provocadas pelos estímulos (passagem do impulso elétrico e químico entre os neurônios). Essa exuberância sináptica continua até o início da adolescência, quando começa a ser reduzida por eventos regressivos, ou seja, perda de funções necessárias para continuar o desenvolvimento do cérebro. O estágio final de maturação do sistema nervoso é marcado pelo processo de mielinização (formação da bainha de mielina). Começa no útero (sexto mês), e sua produção se intensifica após o nascimento (cerca de dois anos) e pode continuar até a terceira década.

Quando uma mãe não toma os devidos cuidados em sua gestação, como: não se alimentar direito, faz uso de medicamentos indevidos, até mesmo uso de drogas, esse cérebro pode sofrer com problemas genéticos ou ambientais, podendo apresentar distúrbio de incapacidade por toda vida. E, certamente, essa criança terá um sistema nervoso de uma forma variante, que precisará de estratégias pedagógicas.

Precisamos respeitar cada etapa do desenvolvimento da criança, sem fazer estímulos precoces para que ela não desenvolva um sistema nervoso mais complexo. Nas escolas vimos muitos pais vibrando porque o seu filho faz isso ou aquilo, mas precisamos ficar atentos a esses excessos de estímulos, porque poderão atrapalhar em alguma área do desenvolvimento da criança.

A criança irá andar e falar quando ela estiver pronta ou madura para isso, sem precisar ser ensinada, porque o seu cérebro é programado para essas habilidades.

As etapas do desenvolvimento infantil devem acontecer de forma saudável para que a construção do conhecimento na aprendizagem formal seja alcançada com sucesso. Essas etapas devem ser vivenciadas em sua totalidade, preparando sempre para etapas seguintes.

O melhor momento para a criança aprender uma segunda língua é ainda pequena. O nosso sistema nervoso é extremamente plástico nesse período, capaz de formar novas sinapses até a fase da adolescência, chamado de período de maturação.

O sistema nervoso é permanentemente plástico, ou seja, está sempre fazendo e desfazendo as interações neurais com o ambiente interno e externo do nosso corpo.

Cada aluno deverá encontrar qual é a maneira que aprende melhor, e o professor por sua vez, deve incentivá-los a fazer isso e procurar diferentes métodos nas aulas, para que alcance todos os tipos de inteligência.

A neuroeducação é uma abordagem interdisciplinar. Ela é fruto da junção de três áreas do conhecimento humano: a pedagogia, a psicologia e a neurociência. A pedagogia se dedica aos processos de aprendizagem e educação. A psicologia vem com suas contribuições nas pesquisas sobre cognição e comportamento. E a neurociência se concentra no funcionamento do sistema nervoso central. A neuroeducação é uma tentativa para trazer para a área da educação estudos com fundamentação científica, não estudos observacionais ou comportamentais.

Educar é ensinar, transmitir conhecimentos, e esse ensinamento precisa ser prazeroso, precisa haver trocas. Quando há aprendizagem com atenção, emoção, memória, fica tudo mais fácil.

A neurociência nos mostra que o aspecto da atenção e da memória estão intimamente ligados, pois é mais provável que aprendamos um determinado assunto se direcionarmos nosso foco para ele.

A memória é um dos aspectos mais importantes da neurociência nos processos de ensino-aprendizagem. “Memória” significa aquisição, formação, conservação e evocação de informações. A aquisição também é chamada de aprendizado ou aprendizagem: só se “grava” aquilo que foi aprendido. (IZQUIERDO, 2011). Essa ligação é estreita. Só consideramos uma informação como aprendida, quando lembramos dela.

Kévelin de Oliveira Melo
Profª. de Português e Redação